Por Paula Novaes

Como sua organização tem cuidado da saúde mental dos colaboradores? Um estudo encomendado pela Microsoft, feita pela Work Productivity Trends, mostra que o Brasil está no topo da lista, entre os países pesquisados, com 44% de pessoas que se dizem exaustas ao longo deste período que estamos vivendo da pandemia.

Muitos são os indicadores, dentre eles, o aumento da jornada de trabalho, falta de separação da vida pessoal e profissional, sensação de desconexão com os times e o medo de contrair o Covid-19. “De acordo com a pesquisa The Future of Work and Digital Wellbeing – Protecting Employees in a Covid-19-shaped World, feita pela divisão de pesquisa, análise e investigação da The Economist e com apoio da Allianz Partners, 61% dos mil empregados entrevistados revelaram que não tiveram uma boa conversa com seus gerentes sobre saúde mental durante a quarentena. Ainda segundo o estudo, 77% disseram que as empresas deveriam oferecer orientação e regras para trabalhar de casa.” (HSM Management)

E como monitorar ou dirimir esta sensação de exaustão sentida pelos colaboradores? A liderança é um dos principais pontos, através dela os colaboradores são orientados e manter o canal de comunicação ativo é essencial para o bom andamento das atividades e esclarecimento de qualquer dúvida que possa gerar algum tipo de desconfiança ou desconforto.

Um segundo passo, seria manter uma comunicação eficaz sobre saúde mental no ambiente coorporativo além de demonstrar real preocupação com as condições de trabalho estabelecidas. Estimular um ambiente de trabalho humanizado e empático, flexibilização de rotinas, sempre que possível, contribuindo para que o profissional encontre o melhor formato para ele.

De acordo com a revista Exame, através de uma pesquisa da Falconi, 83% das empresas consultadas definiram o modelo híbrido como a melhor saída para o pós-pandemia, o “home budget”, benefício que empresas dão aos colaboradores para a aquisição de equipamentos de infraestrutura e subsídio de custos relacionados ao trabalho remoto, tem sido adotado de forma mais ampla e tem trazido bons resultados no que diz respeito a autonomia dos colaboradores, redução do tempo de deslocamento, otimização das horas de trabalho, melhora na qualidade da alimentação, entre outros.

O principal ativo das organizações são as pessoas, é importante que o empregador se preocupe constantemente sobre como seus colaboradores estão se sentindo, esse cuidado cria vínculos e faz o profissional se sentir mais seguro em relação ao trabalho. Profissionais desmotivados não produzem, pelo contrário, quando estão motivados produzir com qualidade é algo natural.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), no Brasil, 11,5 milhões de pessoas sofrem de depressão e até 2030 essa será a doença mais comum no país. A síndrome de Burnout ou esgotamento profissional, também vem crescendo e já é um problema a ser enfrentado pelas empresas, inclusive já foi reconhecida pela OMS como uma doença relacionada ao trabalho.

Saúde mental, é reponsabilidade, e uma boa gestão conseguirá manter a dose certa da cobrança, da autonomia, da quantidade de trabalho, além claro, do engajamento com as equipes e nesse momento é a criatividade quem tem dado uma ajuda importante. Mantenha uma comunicação transparente que indique a situação da empresa, como os gestores estão lidando com as adversidades, como a empresa está conduzindo a crise e principalmente qual o papel do colaborador dentro desse processo.

A inclusão de um programa de saúde mental na área estratégica da empresa é fundamental na manutenção não só do bom andamento das atividades, como um pilar essencial na contribuição de um bom clima organizacional. Tornando o tempo que o colaborador dedica ao trabalho, saudável e sendo retribuído de forma profissional.

Cabe a cada empresa analisar quais as suas necessidades em relação a presença diária de seus colaboradores nos escritórios, mas não deveria ser uma opção ter um acompanhamento psicológico eficiente com um trabalho que ajude os colaboradores a estarem saudáveis para exercerem suas funções. Um ambiente ideal é construído através de uma organização que valoriza seus colaboradores, motiva e trabalha de forma humanizada. Esse é um papel muito importante do RH estratégico, que deve ser a realidade das empresas que visam o futuro.

A Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) em parceria com o Ministério da saúde, desenvolveram uma cartilha de recomendações gerais na pandemia, com informações que ajudam a identificar os tipos de problemas e o grau de gravidade, acessando o site da Fiocruz.

Comunicar, verbo transitivo direto, que significa: fazer chegar, transmitir (mensagem, informação, ordem etc.), é um processo que envolve a troca de informações entre dois ou mais interlocutores por meio de signos e regras semióticas mutuamente entendíveis.

A responsabilidade por aquilo que é dito é sempre do comunicador, o sujeito que neste momento está passando a informação, contando uma história, relatando um fato. Dito isso, chegamos ao tema de nossa conversa, e trazemos algumas reflexões. Você consegue se comunicar de forma clara? Consegue passar a mensagem a seu interlocutor sem ruídos ou constrangimentos? E como atingir o seu objetivo? E o que muitos ainda não fizeram a reflexão mais importante:

“Pecar pelo excesso ou pela falta?”

Muitas organizações sofrem com esses mesmos problemas, afinal todas são formadas por pessoas, com mapas mentais divergentes, o que torna esse desafio ainda mais complexo. Com a chegada do mundo moderno, globalização, internet, computadores e celulares, as pessoas deixaram de se comunicar pessoalmente, olho no olho, para exercer seu direito mais sublime através de um clique e em milésimos de segundos pode-se enviar uma mensagem de texto, uma foto, um vídeo, para o outro lado do mundo. E por falar em mundo o livro O Mundo é Plano -Uma História Breve do Século XXI, um livro de 2005 escrito por Thomas Friedman, editado no Brasil pela Editora Cia das Letras, nunca foi tão verdadeiro ao afirmar que quebramos todas as fronteiras das distâncias.

Mas cabe a nós levantarmos algumas questões:

  • será que a informação chegou ao destino de forma eficiente, eficaz e efetiva?

  • Foi compreendida?

  • Causou algum tipo de resposta esperada, ou inesperada?

  • Causou algum tipo de constrangimento?

  • Trouxe o retorno necessário para qual foi criada?

Para ajudar nesse desafio, ao longo do tempo, foram estipuladas algumas “regras da boa convivência virtual”, por exemplo: ESCREVER EM CAIXA ALTA, entende-se que a pessoa está “gritando”, ou no mínimo está nervosa, ou está querendo reforçar alguma informação que já foi dita algumas vezes e por algum motivo não foi entendida, pintadas de vermelho então, é sinônimo de tremenda falta de comunicação, a não ser que seja um alerta de que alguém corre perigo de morte.

Toda essa adaptação aos novos meios de comunicação, fizeram com que as empresas tivessem que se modernizar seja através da criação de novas políticas, desenvolvimento de meios seguros para o envio das informações sigilosas e principalmente, tiveram que ensinar aos seus colaboradores a se comunicarem novamente dentro desses padrões. Sabemos que a colocação de uma vírgula em lugar incorreto ou a falta dela pode colocar uma organização inteira em maus lençóis.

Isso significa não só a preocupação com o monitoramento das informações, mas principalmente com o tipo, ou seja, isso que estou informando é de interesse do meu público? Está no contexto da rotina deles? O processo real de comunicação acontece quando as partes envolvidas se sentem plenas em relação ao que está sendo dito e entendido e ao final conseguem interagir de forma a criar diálogos.

Paul Friga, no livro, A estratégia McKinsey para gerenciamento de equipes em projetos, cita como a falta de comunicação pode levar por água abaixo o resultado de um trabalho de muitos dias e que envolveu muitas equipes, e por falta de comunicação de uma parte da equipe dias de trabalho foram perdidos.

É preciso criar valor para a comunicação, ou seja, é tornar a prática uma interação dialógica, que adote uma postura de interação, algo além da técnica. Para Marcondes (2007, p.37) apud Marchiori, é uma “combinação de múltiplos vetores (sociais, históricos, subjetivos, temporais, culturais) que se dá pelo atrito dos corpos e das expressões, algo que ocorre num ambiente.” Para o autor, é por meio do ato comunicativo que se altera a realidade, uma realidade com algo novo, que faz sentido para as pessoas que desse processo participam e, portanto, naturalmente praticada.

Além do comunicador, o interlocutor tem um papel fundamental nesse processo, que é o de saber ouvir, nem sempre com os ouvidos, como no caso de pessoas que possuem algum tipo de deficiência auditiva e que se utilizam das Libras (linguagem brasileira de sinais). Mas o ato de receber a informação, entender e ser capaz de realizar conquistas, ou apenas se emocionar com ela. Para tanto, é necessário fazer o “exercício de ouvir”, com atenção, concentrar-se no seu comunicador, não se deixar-se dispersar por celular, outras pessoas. Esteja presente, assimile as palavras, debata o assunto, parafraseie, mostre que não só está interessado, como também está compreendendo o que está sendo dito.

Parece um pouco clichê dizer que precisamos aprender a ouvir, ou até um pouco óbvio, mas é sim um ato a ser aprendido, além de um sinal de respeito a aqueles que nos buscam para algum diálogo. Por isso, aprender a ouvir é o básico do início de uma boa comunicação, se não escuta, ou não presta atenção, não será capaz de interagir de forma saudável e eficiente.

O que nós da Mollitiam Consultoria fazemos é exatamente isso, ouvimos, com muito cuidado, atenção e dedicação as necessidades dos nossos clientes, para com isso, podermos pensar e entregar as melhores soluções, soluções essas que se adequem a esse cliente de forma personalizada. Com isso buscamos sempre através do diálogo, a interação e meios de comunicação de forma eficiente, eficaz e efetiva.

Respondendo a pergunta de nossos leitores, seja preciso, nem excesso nem falta, seja suficiente através das palavras força contidas em uma única frase ou em parágrafos muito bem estruturados, observando sempre se deseja informar, emocionar ou até mesmo alertar.

“E você peca pelo excesso ou pela falta de comunicação?”

Paula Novaes é Consultora Organizacional na Mollitiam Consultoria


Referências:

MARCHIORI, Marlene. Cultura e comunicação organizacional: um olhar estratégico sobre a organização. 2. Ed. Difusão, 2017.

FRIEDMAN, Thomas. O Mundo é Plano - Uma História Breve do Século XXI. Ed. Econômica, Ed. Cia das Letras, 2014.

FRIGA, Paul. A estratégia McKinsey para gerenciamento de equipes em projetos. Ed. Elsevier, 2011.

Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Comunica%C3%A7%C3%A3o, Acesso em: 26 de outubro de 2020.